segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sabedoria de pequeno-almoço

De acordo com as embalagens de Choco Flakes da Cuétara, que têm texto em espanhol e em português, se este fosse um blog em tierra de nuestros hermanos, chamar-se-ia:

Guia de las Mujeres para Empanaooooos!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Bom começo

Acordar à uma da tarde, ver televisão em pijama, jantar fora e cafézinho no barco. Estava mesmo a precisar de um dia descansado. Auguro coisas boas para este ano. :)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

E lá vamos nós outra vez

Este foi o ano dos investimentos. Foi um ano tão preenchido que me pareceram três ou quatro. Foi o ano dos desafios. Dos limites. Do oito e do oitenta em simultâneo. Do dar tudo por tudo e ser tudo igualmente tão bom e tão mau ao mesmo tempo. Foi o ano em que mais de metade das noites dormi menos de cinco horas e mais de metade das manhãs pensei que era o dia em que me ia despedir no trabalho. Foi o ano em que fiz novos amigos daqueles para a vida, amei como se não houvesse amanhã, voltei à vida académica e aceitei desafios profissionais tresloucados. Foi o ano das aventuras. E para o ano que vem não peço nada de novo até porque não espero que as coisas venham ter comigo sozinhas. Que isto seja válido para todos vocês também, e que o próximo ano traga apenas o retorno merecido de tudo aquilo em que investimos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Conversa com o mano #1342

Na sala de espera do hospital, enquanto olhamos para o meu dedo ensanguentado.

Ele: Os teus dedos são fininhos. Qual é o teu número de anéis? Nove?
Eu: Tens noção que ninguém sabe essas coisas a não ser quem precisa dessa informação para o trabalho...
Ele: És mulher, podias perfeitamente saber isso!
Eu: Eu nem sei a letra do tamanho das copas dos meus soutiens!

(após 5 segundos de silêncio)
Ele: Realmente não sei por que me dizes essas coisas.

A Belota tem dói-dói

Bastou um pequenino corte no dedo para uma ida à farmácia, para um argumento gigante que só precisava de comprar "pensos-rápidos grandes", para uma ferida com sangue que não estancava, para ter que pedir boleia ao colega para o hospital, para companhia do mano na sala de espera, para uma hora e meia sentada enquanto aguardava que me chamassem, para um médico estagiário divertidíssimo comigo e desejoso de poder treinar medicina no meu dedito, para uma sala com dois médicos e três enfermeiros, para me perder nos corredores do hospital feita loura-burra, para um taxista que vai calado o caminho inteiro e quando me deixa em casa subitamente diz "este país precisa de uma revolução, mas não é de cravos, é de balas, começa-se na Assembleia da República, só preciso de mais uma pessoa, pode ser uma mulher". Balanço da coisa, dois pontos e uma vacina contra o tétano.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Guia das Mulheres versão BD

Copyright: The Pink Shrink. Aqui. Recomendo muito.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

NÃO!!!!!

Já uma vez se tinha falado aqui sobre roupa com motivos infantis e do quão ridículo isso fica numa mulher crescida. Mas isso era antes de eu ter descoberto a versão para homem. E o pior, também existe em cor-de-rosa. Estou escandalizada. Agradavelmente distraída com o senhor da fotografia, mas escandalizada.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Epá, a sério??

Sou daquelas pessoas que não gosta particularmente do Natal. Aliás, não devo gostar mesmo, tendo em conta que no ano passado fugi para a outra ponta do planeta e já uma outra vez tinha feito algo semelhante. Este ano porque não podia fugir, lá me lembrei da melhor forma de passar a coisa. Oferecer-me como voluntária no hospital aqui mais perto de casa. Além da aventura que foi ligar para o gabinete de voluntariado (e a fortuna em ligações e tempo de espera), quando finalmente me retribuíram a chamada, dois dias depois, foi para me informar que não só é uma complicação burocrática uma pessoa inscrever-se como voluntária, como nem sequer está planeado nada para a noite de Natal. Estas coisas deprimem-me. É que nem fazer uma boa acção é fácil!

Não, I do not wish it would rain down on me. Mas chove na mesma.

Um colega meu já me cantou esta música de manhã. Chove na sala de minha casa, e chove no trabalho mesmo em cima da minha secretária. Devo atrair este tipo de coisas. Agora vou só ali ser amiguinha do Phil Collins para ver se tiro algum sentido disto, e já volto.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Não há problemas sem solução

Acabei de chegar a casa para descobrir que me está a chover na sala. Ora como um telhado novo me parece algo carote e os tempos não estão para isso, não vejo outra hipótese senão arranjar um menino destes para me proteger os tapetes da água.

Victoria Secret 2010-2011 Fashion Show

Quero TUDO. Tudo. As cuecas, os soutiens, os corpetes, os sapatos, as botas, os colares, as asas, os meninos de abdominais definidos a fazer ginástica lá para o terceiro minuto do vídeo, tudo. Até as meninas boazonas podem vir que eu depois como sou querida faço a distribuição aqui pelos leitores masculinos do blog. No espírito de Natal, até deixo o Capitão Microondas ser o primeiro a escolher.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Detesto compras de Natal

Acabei de chegar de um centro comercial com o ar condicionado no máximo e 300 biliões de pessoas transpiradas a esfregarem-se umas nas outras. E ainda faltam três dias para o Natal. A seguir caminhei à chuva até ao carro. Estou com a sensação que devo cheirar a cão tinhoso e molhado. Que assim de repente é a coisa mais nojentinha de que me consigo lembrar.

Presentes de Natal inesquecíveis

Está neste preciso momento um senhor no telejornal da TVI a sugerir extintores, lâmpadas de emergência e protecções de casa para crianças como presentes de Natal originais. Diz o mesmo, que "quem receber um extintor como presente nunca se vai esquecer!". Pois, aposto que não. Alguém que mo desse e também não se esqueceria. Garanto.

E vocês? Qual foi o presente de Natal mais estranho que já receberam?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Só por causa do mau tempo vamos falar de maminhas para ver se isto anima

Os 7 factos mais curiosos/divertidos/que-aposto-que-não-sabiam sobre maminhas:

A mulher com o maior peito do mundo, chama-se Sheyla Hershey e veste um soutien tamanho 38kkk.
Eu que sou mulher nunca me consegui entender bem com esta coisa das letras no tamanho dos soutiens, por isso, para ficarem com uma ideia, podem espreitar aqui. São falsas, claro, mas também já vi uma imagem da mulher com o maior peito natural do mundo, e, trust me, vocês não querem ver aquilo! Blagh.

A Inglaterra é o país da Europa onde as mulheres têm maminhas maiores
Mas isso já sabíamos. Aqui andamos sempre a par dessas coisas. (link)

Os implantes mamários aumentam o risco de suicídio
Parece que as mulheres que se submetem a este tipo de cirurgia apresentam mais problemas psiquiátricos do que as restantes. Lindo. Adoro as pessoas que dedicam a vida a este tipo de estudos!

Quase que houve uma lei que impedia mulheres de seios pequenos de conduzirem motas no Vietname
Foi levada a aprovação pelo Ministério da Saúde, em 2008, por questões de segurança (que eu penso que ninguém percebeu muito bem) mas no ano seguinte desistiu-se da ideia.

Em Hong Kong é possível tirar uma licenciatura em Estudos de Soutiens
Ah pois, é um curso do Politécnico lá do sítio. Ensina a desenhar e construir soutiens. Muito bom!

Existe uma Organização Não Governamental que luta pelo direito de as mulheres andarem em topless.
É uma questão de direitos constitucionais, dizem os seus membros. E promovem bastantes encontros de maminhas ao léu, como não podia deixar de ser. Têm um site com um nome muito pouco óbvio, para quem estiver interessado: gotopless.org. (E aparentemente é legal andar despido da cintura para cima no Hawaii, Texas (!!!), Ohio, Nova Iorque e Maine.)

Há um toque para o telemóvel que promete aumentar o tamanho dos seios das mulheres que o ouvem
Foi inventado no Japão, por um médico que combinou uma música com o choro subliminar de um bebé, que aparentemente desperta o instinto maternal das mulheres e faz com que o corpo comece a produzir leite. Parece que basta ouvir o toque 20 vezes durante dois dias para se notar o aumento. Para quem quiser experimentar, o ringtone chama-se... Rock Melon!

E agora, não fosse isto um Guia das Mulheres Para Totós, uma última dica só para eles:
Gostamos tanto de brincar com as nossas maminhas como vocês. ;)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Special delivery at the office

E se em vez de flores, um menino nos enviar uma caixa gigante de bolachas para o trabalho? A Belota está rendida. Gostou muito. Oh gostou tanto! :)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Faz hoje um anito que fui para a outra ponta do mundo

Assumindo o cliché, mas a verdade é que o tempo passa mesmo depressa. Faz hoje um ano que me estava a enfiar num avião para 60 horas de viagem ao todo e um mês inteiro passado entre Bangkok, Austrália, Nova Zelândia e Ilhas Fiji. Lembram-se? E o calor, tanto, tanto calor! Hoje abri a carteira para procurar uma moeda e os meus dedos não queriam colaborar. Estavam congelados. Só por isso já marquei passagem para as próximas férias. E não falta assim tanto.

Aqui fica um apanhado do melhor do ano passado:

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Somos tão diferentes, até nas coisas mais básicas!

Quando somos pequenos, os nossos pais vestem-nos de uma forma muito simples. Enfiam-nos a gola da camisola pela cabeça abaixo e depois vêm com a conversa de "agora um braço, agora o outro". Não é muito complicado. Nós crescemos e continuamos com o esquema. Parece apropriado. No entanto, algures durante o crescimento dos homens, solta-se ali um gene qualquer que só eles é que têm, em que decidem que primeiro se enfiam os braços, e depois alarga-se a camisola toda para puxar a gola pela cabeça até ao pescoço. Todos os homens que conheço fazem isto. Nunca percebi porquê.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Para acabar com esta onda de sentimentalismos e relações

Assim é que é. Nas palavras de Miguel Esteves Cardoso. Sem tirar nem pôr.

"Só um Mundo de Amor pode Durar a Vida Inteira

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Cinco patamares da dor – o que as mulheres sentem no final de uma relação

Estava a ver um episódio repetido de Anatomia de Grey, em que se falava nos cinco patamares da dor. Denial, anger, bargaining, depression, acceptance. E lembrei-me de como isso explicava tão bem o ponto de vista feminino expresso no post anterior, se aplicado ao término de uma relação. Dizia o guião:

"According to Elisabeth Kübler-Ross, when we're dying or have suffered a catastrophic loss, we all move through five distinct stages of grief. We go into denial because the loss is so unthinkable we can’t imagine it’s true. We become angry with everyone, angry with survivors, angry with ourselves. Then we bargain. We beg. We plead. We offer everything we have, we offer our souls in exchange for just one more day. When the bargaining has failed and the anger is too hard to maintain, we fall into depression, despair, until finally we have to accept that we’ve done everything we can. We let go. We let go and move into acceptance."

É que é precisamente por isto que passamos. Se há por aí algum menino que não entenda o que nós sentimos no final de uma relação em que ainda acreditamos, é isto. Daí a nossa persistência e indignação com o derrotismo deles. Primeiro pensamos que aquilo não pode estar a acontecer, depois revoltamo-nos e gritamos, barafustamos, acusamo-los de tudo. De seguida tentamos regatear. Imploramos. Fazemos qualquer coisa só por mais um dia que seja. Quando nos apercebemos que isso não leva a nada e já não conseguimos manter a raiva, caímos em depressão, desesperamos até percebermos que fizemos tudo aquilo que podíamos. E aí podemos partir para a aceitação. Porque sabemos que tentámos tudo. Que não baixámos os braços e que não nos permitimos desistir. E aceitamos com serenidade. Porque sabemos que demos o nosso melhor.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Derrotismo masculino vs Persistência feminina

Já assisti a isto milhares de vezes. Com ex-namorados, com amigos, nas minhas relações, nas relações dos outros, e até em escolhas profissionais. Um homem quando vê um obstáculo e se apercebe que o caminho não augura nada de bom, resigna-se e baixa os braços. Corta o mal pela raíz e convence-se que está a fazer a coisa certa. Escolhe sofrer menos no presente para não sofrer mais no futuro. Nós, por outro lado, vamos até ao fim do mundo pela coisa mais improvável. Custe aquilo que custar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A melhor (ou mais hilariante) definição de amor de sempre

"Amor é esconder quem somos durante todo o tempo, mesmo quando estamos a dormir, amor é dormir com a maquilhagem e descer até ao Burger King para fazer cocó, é esconder álcool em frascos de perfume. Isso é que é amor."

(ouvido num episódio de 30 Rock)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ai que semana tão complicaaaaada...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O pai teve um pequenito percalço...

Foi para o hospital e mandaram-no fazer exames. Quando deu por isso estava na sala de obstetrícia, e diz ele que de facto estava a achar esquisito só estarem lá mulheres. De seguida foi posto num quarto na ala de pediatria, com uma placa à porta a dizer "sala de jogos". Typical.

sábado, 27 de novembro de 2010

Pooorto

Se calhar o menino é só fotogénico, ainda não sei, mas pelo sim pelo não, e visto que não sei por onde anda o Quique, vou ver com atenção o jogo do Porto. :)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O meu date de 59 anos

O pai fez anos e pela primeira vez o jantar de aniversário foi só comigo. Não envolveu o tio que é irmão gémeo, os primos, ninguém. Só os dois. Fazemos isto com frequência, mas como ele fazia anos, fizemos questão de ir a restaurante especial, que por acaso pertence a um hotel. Diálogo nos primeiros cinco minutos após nos sentarmos à mesa:

Pai: As pessoas vão pensar que és minha namorada.
Eu: Que disparate.
Pai: A sério. Os meus colegas de trabalho dizem-me às vezes que me viram na rua com uma namorada nova e depois eu tenho sempre que lhes explicar que é a minha filha!
Eu: Que bom, hum? Quase 60 anos e uma namorada de 30...
Pai: Não tem piada! És minha filha!
Eu: Vá lá, que parvoíce, o que interessa o que as pessoas acham?
Pai: Estamos aqui os dois, neste restaurante, à noite, bem arranjados, parece outra coisa...
Eu: Se calhar parece um pai divorciado a jantar com a filha como milhares de outros na mesma situação.

(pai começa a ficar nervosinho)
Pai: Eu sei que estão a pensar isso. Até o empregado. Vai olhar para nós e pensar isso.

(o empregado aproxima-se da mesa com um ar natural)
Empregado: Boa noite, estão hospedados aqui no hotel?
Pai (absolutamente ofendido e em pânico): NÃOOO!!!

Carteiras feitas de tuuuudo e por mim podem vir tooodas

A Tela Bags enviou-me um necessaire todo giro feito de telas recicladas, e, para minha desgraça, o catálogo novo com todos os modelos. Adoro a colecção Press Line feita com jornais, revistas e afins reciclados, mas as que mais me surpreenderam foram as da linha L-Seven, feitas com sobras de pavimentos em linóleo. Linóleo! Lindo. Super original!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Estou em greve

Mas as coisas por fazer vieram para casa comigo. E visto que o computador do local de trabalho avariou e o telhado tem um buraco que faz com que chova em cima da minha secretária, estou cá com um feeling que vou trabalhar mais e melhor em casa do que se estivesse no escritório. Não é lá uma grande greve.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Gosto das pessoas que dizem "tolerância de ponte". É querido. Nem interessa a terminologia. Desde que não se vá trabalhar...

Dia Internacional do Homem

Ainda não se falava disso na televisão, facebook e afins, e já se sabia aqui. Ah pois é, sempre em cima do acontecimento!

Agora vão lá, queridos e adoráveis meninos totós, tomar conta dos vossos bigodes ou seja qual for o movimento que corre por aí no dia de hoje. Mas façam-no com aprumo, que eu conheço muita mulher com um jolie moustache capaz de bater o de muitos homens.

(também já falámos de bigodes. aqui.)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

É, parece que é mais ou menos isto.

Obrigado à Maria que me enviou por e-mail esta e outras imagens que mais tarde aqui aparecerão. No dia em que vos dissermos que nos sentimos 100% preenchidas, agarrem-se a esse momento com unhas e dentes. Tirem imagens mentais, façam um freeze cerebral e aproveitem. É provável que não dure muito.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Temos sempre razão. Mesmo quando não temos. Vá, pelo menos podemos tentar.

Ele diz que eu faço isto com frequência e que é a grande prova da minha teimosia. O que ele ainda não percebeu é que eu preciso de dizer "não" muitas vezes de forma a ganhar tempo para inventar um argumento qualquer mirabolante que justifique o meu ponto de vista absurdo. Mas essa parte eu não lhe vou explicar. :)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Se não somos mais felizes é porque gostamos de complicar

Nunca usei a expressão “não me contento com pouco”. Porque na realidade o “pouco” é um termo que me parece errado. Andamos à procura nem sabemos de quê, e por isso achamos que queremos é mais. Eu contento-me com as coisas simples. Embora, vendo bem, isso não seja pouco, porque saber apreciar as coisas simples às vezes é complicado e passa-nos ao lado. Somos demasiado exigentes? Não temos assim tanto a oferecer à outra parte? Claro que não somos e que temos. Andamos é focados nas coisas erradas. Não esperem ter ao vosso lado uma pessoa que vive inteiramente para vocês porque isso é negar uma parte da sua individualidade. Esperem antes que nos momentos em que estão juntos as coisas façam sentido. O encaixe a 100% é possível de obter desde que saibamos onde nos encaixar. Desde que tenhamos conhecimento do nosso lugar e consigamos compreender o mundo à nossa volta. Basta, como disse o Laredo e muito bem num comentário ao post anterior, que saibamos investir em nós mesmos e deixar que o outro invista nele próprio. E tenho a certeza que esse investimento reverterá positivamente na relação. Às vezes basta um gesto ou um olhar, um saber dizer as coisas sem usar palavras. Bastam as coisas pequeninas que sabem pela vida. Vá lá, não pode ser tão complicado assim.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Por trás de um grande homem há sempre alguém

Vi o documentário “L’Amour Fou” sobre a vida de Yves Saint-Laurent, contada na primeira pessoa por Pierre Bergé, o companheiro de vida, de negócios, de tudo. E mesmo durante as cenas em que ele é visto a vender tudo o que tinham num leilão da Christie’s, mesmo sabendo que se Saint-Laurent fosse vivo não o faria, que as peças representam momentos de vida a dois e que eram parte das suas almas, mesmo assim, é impossível sentir um pouco que seja de animosidade por aquele homem. Não posso dizer neste caso que por trás de um grande homem houvesse uma grande mulher. Mas posso dizer que havia um outro grande homem. Porque é por isso que temos relações, que formamos equipas, que não vivemos sós. Porque de facto juntos somos mais fortes. E Yves Saint-Laurent nunca teria sido quem foi se não fosse por Pierre Bergé. Sorte a de quem encontrar na vida alguém assim que traga o melhor de nós ao mundo. Saí do filme serena e inspirada. Quero o mesmo para mim. E quero também ser esse outro alguém especial que traz o melhor de quem estiver comigo. Parece-me uma relação com sentido. Será pedir muito? É que estou certa que não o farei por menos.

Estoril Film Festival

E lá se passou mais um. Estes nove dias pareceram-me três semanas, que isto de andar num festival de cinema em trabalho implica muitas horas gastas em coisas que não apetece e muitos filmes sem interesse vistos em detrimento daqueles que se queria ver mesmo. E quem é que tem dois dvd’s autografados pelo Malkovich, quem é? Depois vale por estas coisas. E pelo filme do Yves Saint-Laurent, mas esse merece um post a solo. E “A Espada e a Rosa” do português João Nicolau? Alguém viu? Alguém explica?? E o desfile do Malkovich ? Bons pijamas.

Foto: Associated Press

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Hoje é dia de post-its no telemóvel

Não chegam os reminders, o telefone a tocar 10 minutos antes de cada coisa que tenho para fazer, os papelinhos espalhados pela secretária com horas e nomes de pessoas. Não. O dia de amanhã é tão preenchido que foi preciso colar um post-it amarelo gigante no telemóvel preto, para ver se dou conta do recado. Ainda hoje não terminou e já estou cansada de amanhã.

Só para recordar

Ainda sobre pessoas com dificuldades e sobre ajudar o próximo, lembrei-me deste post que escrevi há mais de um ano atrás. Ainda me cruzo com frequência com este senhor sem-abrigo, e lembro-me sempre desta história.

«Na minha vida (que às vezes penso que existe num universo paralelo, só pode) até o acto de ajudar tem as suas variantes mais cómicas e estranhas. Prova disso é o sem-abrigo que vive na rua perto da minha casa. Todos os Natais costumo ir lá levar-lhe um pouco da refeição da minha Consoada e fico contente por perceber que não sou a única a fazê-lo. O Natal passado não foi a ocasião mais festiva de sempre, mas não me esqueci dele, e comprei um frango assado quentinho para lhe ir lá deixar. Chego lá, ofereço-lhe o frango, desejo-lhe um Feliz Natal, e o homem olha para o saco com o ar mais entediado do mundo e diz-me todo chateado:
“Mas quanto frango é que vocês acham que eu consigo comer?!”»

A ver se este ano é a vez da lagosta...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Coisas que me enervam

A crise e o jeitinho que temos para nos fazermos de vítimas, e como a televisão nacional explora isso. Já não aguento mais reportagens sobre gente que não tem dinheiro para comer. É que falta de comida é coisa que me faz mesmo aflição. Mas depois faz-me confusão ver imagens de famílias a abrirem o frigorífico para se queixarem que não têm lá quase nada, mas o pouco que têm é da Compal, Mimosa e Panrico. Marcas brancas que custam um terço, nem vê-las. Nas televisões ao lado, passam canais por cabo de custo extra que nem eu tenho. Agora mesmo no telejornal falava-se num estudo que afirma que os portugueses vão gastar em média 575 euros em compras de Natal. Tomara muita gente receber isso como ordenado. Os bilhetes para o concerto da Shakira estão esgotados, tal como esgotaram os do Michael Bublé ou dos U2 em Coimbra (mais hotéis, gasolina, portagens e comida para a maior parte de quem lá foi). Continuamos a ser dos países que vendem mais automóveis novos. Na Sábado vinha um artigo de umas crianças que não comiam porque a família não tinha dinheiro para os alimentar. A mãe não trabalhava e o pai tinha perdido o emprego e estava sem subsídio. Antes disso tirava 2500 euros por mês. E poupanças? Eu não sou ninguém para vir para aqui refilar ou ensinar como se vive, mas enerva-me, porque a verdade é que há mesmo gente com fome e sem dinheiro para comer. Gente sem casa, sem televisão e com um frigorífico verdadeiramente vazio. E depois há outros, de acordo com o telejornal também, que gastam 600 euros em bilhetes para o futebol. E o que me tira mesmo do sério, é que são esses os que depois se queixam.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Gosto deste franco optimismo feminino


"You want a perfect girl,
and I look shitty today,
I know you’re gonna dump me again
And I am gonna cry."

Mas dito com uma voz tão querida e a música é tão gira, que só me dá vontade de sorrir!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Masturbação quê???

Estava numa clínica nova a tratar da ficha de cliente para a depilação definitiva, enquanto a senhora, muito simpática, ia preenchendo um questionário que eu conseguia ver no monitor do computador, sobre as mais diferentes coisas que podiam influenciar o crescimento dos meus pêlos. Depois de umas 20 perguntas, espreito o monitor, e vejo que a questão seguinte era sobre a regularidade da minha menstruação. A senhora olha para mim, e, numa situação em que eu juro que ouvi bem e que ela é que se enganou, pergunta-me com as letrinhas todas:

- A masturbação? É irregular?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Conversa com o mano #2635

Eu: Um colega meu queixou-se que a namorada tinha cortado o cabelo, ele não tinha gostado, mas não sabia como o dizer. Por isso mentiu. E além de se sentir mal por tê-lo feito, queria que lhe explicássemos um modo de ele ser sincero mas sem a magoar. Nós não sabíamos. Aliás, chegámos à conclusão que esse era um problema que nunca teríamos. A maior parte de nós teria olhado para o namorado e dito sem hesitar "és um estúpido, olha o que foste fazer ao cabelo, estás horrível". E a parte grave nisto tudo, é que para a maior parte das mulheres, este tipo de frontalidade não é maldade, é normal! Eu não sei como é que vocês aturam isto!

Ele: Pois, sobretudo se pensarmos que há para aí sete mulheres para cada homem. Supostamente temos por onde escolher, mas aguentamos.

Eu: Mas não é justo, nós somos frias e directas, e cada vez tenho mais ideia que são as mulheres más que mantêm os homens por mais tempo! Nada disto faz sentido!!

Ele: Faz. A culpa é nossa.

Eu: Porque o permitem?

Ele: Não. Porque somos parvos. Asnos perfeitos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Assédio telefónico

Não tenho paranóias à volta do telefone. Nunca desligo o telemóvel à noite. Já aconteceu precisarem de mim numa emergência e eu não tenho número fixo em casa. Não vejo aflição nenhuma em atender números que não conheço (não sei nem tenho guardados os números de toda a gente) e atendo sem hesitar números não identificados. Antes dos telemóveis todos atendíamos o telefone sem saber quem estava do outro lado e nunca ninguém morreu disso. Mas ocasionalmente lá acontece o frustradinho sem confiança ou vida pessoal que se apresente, que resolve matar o tempo a azucrinar-me o juízo com telefonemas ou mensagens não identificadas. Já me aconteceu de tudo. O que me ligava enquanto se masturbava, o que me enviou tantas mensagens que eventualmente meteu a namorada a fazê-lo por ele (ou fazia-se passar por ela, o que é uma jogada terrivelmente inteligente e assustadora), e agora o que liga só para dizer olá, e que o fez umas doze vezes esta noite enquanto eu tentava dormir. O mais estranho nesta gente: uma pessoa ignora ou rejeita o contacto trinta vezes, e trinta e uma vezes eles insistem.E enquanto luto contra a vontade de assassinar estes palhaços todos à pedrada (depois de descobrir uma forma eficaz de o fazer via telefone), e porque sei que isto acontece com frequência a muitas mulheres, pedia que me contassem o que já se passou convosco. Só para eu me poder lembrar e talvez rir um bocadinho quando esta noite o telefone desatar a tocar novamente.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

E agora nas palavras de Oscar Wilde

"Como é que uma mulher pode esperar ser feliz com um homem que insiste em tratá-la como se fosse um ser humano perfeitamente normal?"

Não somos. Geralmente achamos que somos especiais e que o mundo gira à nossa volta. Também não sabemos muito bem aquilo que somos na realidade. Depende do dia. Ou da hora. Do minuto, vá. Somos queridas, somos vingativas, somos sexys, somos infantis, somos adoráveis, somos detestáveis, somos perigosas, somos preocupadas, somos atentas, somos distraídas, somos um espectáculo, somos insuportáveis, somos decididas, somos completamente perdidas da cabeça, somos impecáveis, somos doidas, somos apaixonadas, somos maternais, somos independentes, somos inconstantes, somos aventureiras, somos temerárias, somos precipitadas, somos alegres, somos mariquinhas, somos felizes, somos profundamente infelizes sem qualquer razão aparente, somos gordas quando todos nos acham magras, somos baralhaditas emocionalmente, somos inesquecíveis, somos sonhadoras, somos focadas e arrebatadoras. Mas se há coisa que não somos, é normais. Isso seria demasiado banal e redutor. E somos tão mais do que isso.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nas palavras de Barbra Streisand

"Porque é que uma mulher se esforça 10 anos para mudar os hábitos de um homem, se no final não faz senão queixar-se que ele já não é a mesma pessoa que conheceu há 10 anos atrás?"

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Em que é que os homens e as mulheres são melhores uns que os outros?

Não acredito na superioridade de um sexo sobre o outro. Mas defendo que não somos iguais. Há coisas que as mulheres fazem melhor, e coisas para as quais os homens têm muito mais jeito do que nós. E há que admiti-lo. Não são falhas de carácter ou de personalidade, mas antes pequenas diferenças que fazem com que nos completemos. Os homens têm um sentido de orientação melhor que o nosso, mas nós prestamos mais atenção aos detalhes. Somos mais atentas e temos uma memória espantosa (sobretudo para aquilo que não lhes dá jeito) mas eles são mais focados e directos. O exercício que proponho aqui hoje, é que se lembrem daquilo que nos distingue. Até porque eu tenho um menino à espera que eu lhe recite uma lista de coisas em que as mulheres são melhores que os homens... Quem ajuda? Vá, vale para os dois lados!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ah que saudades do amor louco e jovem

Disse-lhe ele, com o ar mais querido do mundo, à frente de todos os que passavam:

"Às vezes tenho vontade de te partir uma perna só para poder ficar em casa a cuidar de ti"

domingo, 10 de outubro de 2010

Post que se calhar só as meninas vão entender

Fui ao cinema ver o "Comer, Orar, Amar", e durante todo o tempo do filme em que aparece o Javier Bardem, eu só esperava ansiosamente que ele olhasse para a Julia Roberts toda apaixonadinha, e dissesse, "sou um produto da tua imaginação, tens um tumor cerebral e o George vai morrer".

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A tal história da Nova Zelândia e dos filmes de terror (ou como eu vejo televisão a mais)

Por altura do Natal passado, um dos sítios por onde passei, foi pela Nova Zelândia, e um local que fiz questão de visitar, foram as praias onde foi gravado o filme O Piano, de Jane Campion. Fui contando mais ao menos por aqui aquilo que andava a fazer, mas acho que não cheguei a contar o episódio do senhor e da viagem pela floresta tropical.

O único modo de se chegar às tais praias, é atravessar as montanhas infindáveis e a fabulosa rainforest neozelandesa. E a única solução que encontrei para o fazer, foi alugar um surf shuttle, conduzido por um senhor extremamente simpático e absolutamente gigante. Facto número um, logo aqui, a prestar atenção: um senhor grande e fortíssimo com quem eu nunca conseguiria lutar, e incrivelmente simpático, que nos filmes eles são sempre simpáticos inicialmente para se conseguirem aproximar das vítimas. Mas lá fomos, a mãe e eu, sozinhas, de madrugada, bem cedinho, uma hora de caminho pela autoestrada com o senhor, e depois mais duas horas pela montanha, onde não se vê absolutamente nada nem ninguém, onde não há turistas, não há mais carros, não há rede no telemóvel, não há NADA! Aí trocámos olhares e pensámos as duas “bonito, duas mulheres sozinhas no outro lado do planeta, no meio da floresta, com um estranho gigante. Se nos acontecer alguma coisa ninguém sabe onde estamos!”. No início da montanha o nevoeiro era imenso, cinzento escuro, assustador, mas felizmente à medida que as horas foram passando o céu lá foi ficando mais claro. E o senhor sempre simpático.

Chegámos às praias, vimos aquilo tudo a pé, andámos quatro horas dentro da floresta, e regressámos ao ponto de encontro para voltarmos para a cidade. Tínhamos andado para aí uns 20 minutos numa estrada assustadora e estreita quando o senhor percebe que se tinha enganado e resolve fazer inversão de marcha, numa manobra em que eu acreditei mesmo que íamos cair ribanceira abaixo. Tinha-se enganado, dizia ele. Na realidade ele bem podia dizer ou fazer o que quisesse, nós não tínhamos a menor ideia de onde estávamos e só se viam árvores à volta! Pouco depois chegámos a uma estrada mais larga que me pareceu familiar, o senhor faz uma curva para a esquerda, e temos esta conversa:

Eu (a medo): Desculpe, mas eu tinha ideia que nós tínhamos vindo do outro lado, não devíamos ter virado à direita?
Senhor: Vou mostrar-vos um segredo.
Eu (a fingir um ar muito normal): A sério? Que giro, o quê?
Senhor: Uma coisa na floresta muito importante para o povo Maori mas que ninguém conhece.

Oi? Se ninguém conhece e não estava nos planos, deixe lá que nós passamos bem sem isso. Mas o senhor lá insistiu. Passam-se mais 15 minutos, e de repente vejo-o a meter a mão atrás do banco, a confirmar se lá tinha qualquer coisa. Quando olho para baixo, vejo aos meus pés três garrafões de gasolina e duas caixas com bobinas de fita adesiva. Aí é que o cenário me pareceu familiar. Na véspera de embarcar para a Austrália, tinha visto um filme de terror chamado Severance/Mutilados, em que uma mulher acabava presa a uma árvore com fita adesiva, regada com gasolina, e queimada viva. Pronto, deixei logo de achar piada à brincadeira. Eventualmente o senhor lá pára a carrinha no meio de uma estrada deserta e diz:

Senhor: Deixem tudo no carro e venham comigo.
Nós: Desculpe? Porquê? Onde?
Senhor: Já disse que é segredo, não tragam nada e saiam do carro.

A minha mãe só dizia “Não vamos Belota, não saímos daqui”. Mas lá a convenci, depois de discutir com o senhor que saía mas levava as coisas comigo. Mais não fosse dava jeito ter identificação quando encontrassem os nossos corpos 15 anos depois (piada parva, espero que a minha mãe não esteja a ler isto). Vamos até à entrada de um trilho com arbustos cerrados e o senhor a insistir “é por aqui, são só 10 minutos a pé”. Aí é que desistimos mesmo. Não se via nada para dentro das floresta, o senhor que não dizia o que nos queria mostrar, não passava ninguém naquela estrada horrível, e eu só pensava “bem, nós somos duas, será que conseguimos lutar com este homem enorme?”. Batemos com o pé e voltámos para a carrinha. O caminho de três horas até à cidade foi feito com o silêncio mais constrangedor de sempre. O senhor percebeu com toda a certeza que não confiávamos nele e que tínhamos tido medo. Só abriu a boca no final, enquanto saíamos, para dizer “era a árvore mais antiga da floresta, perderam uma coisa muito especial”. Eu confesso que quando ele disse isso respirei fundo. Era só uma árvore. Ok. Não era perigoso (vá, vamos acreditar que não era) mas também não tínhamos perdido nada do outro mundo. Pelo sim pelo não, decidi naquele momento que ia deixar de ver tantos filmes de terror.


As paisagens, a floresta, as praias, tudo aquilo compensou as dúvidas que tivemos. Posso seguramente afirmar, que essa pequena viagem foi das melhores coisas que já fiz na minha vida. Se alguém quiser repetir, falem comigo que eu tenho o contacto de um senhor grande e simpático que vos leva num surf shuttle... ;)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Esta gente (homens) que diz no telejornal que andar de mota é melhor do que sexo,

anda com toda a certeza a fazê-lo mal. O sexo, não o andar de mota, que é bom, pois é e eu também gosto, mas não é propriamente o mesmo.

(A única coisa que bate este disparate, é o disparate maior ainda da mulher, sentada atrás, que fica caladinha a ouvir aquilo. Ou a pensar no amigo especial que a visita todas as vezes que o marido sai de mota. Se calhar é mais isso.)